Sandwich, Catherine Newman
Não tinha pensado em ler Sandwich, de Catherine Newman, mas dei por mim a precisar de um audiolivro e este estava disponível no Everand. We All Want Impossible Things marcou-me profundamente, por ser uma história sobre amizade feminina e perda, e estava bastante entusiasmada para ler mais coisas da autora — posso já adiantar que este não desapontou.
Sandwich, que também já está traduzido para português, acompanha a semana de férias de uma família americana em Cape Code. Há cerca de vinte anos que Rocky, a nossa protagonista, aluga a mesma casa perto da praia, e a família foi reunindo várias memórias das férias passadas naquela casa e naquele cenário de praia. No ano que nos é narrado, Rocky está a chegar à menopausa, os seus pais vão lá ter mas é cada vez mais complicado para eles, e a vida dos filhos estará também prestes a mudar depois das férias.
Rocky sente-se precisamente no meio da sua vida, e numa fase particularmente complexa a nível emocional. Depois de um desabafo da namorada do filho, Rocky vai recordar várias coisas que aconteceram em anos passados, deixando que um segredo há muito enterrado comece a vir à tona. Ela fará de tudo para que essa informação não mine a tão aguardada semana de férias, em que pode estar novamente com a família reunida, mas será que consegue?
Embora não tivesse, para mim, o mesmo impacto emocional de We All Want Impossible Things, sinto que aproveitei bastante esta leitura. Rocky é uma protagonista bastante bem desenvolvida, assim como as restantes personagens que compõem a sua família, e, acima de tudo, traz para a história vários temas que normalmente são esquecidos — os efeitos da menopausa no corpo e na mente de uma mulher, as decisões que as mulheres têm de tomar em relação aos seus próprios corpos ao longo da vida, os efeitos que a maternidade pode ter numa mulher (mesmo quando essa mulher quer muito ser mãe e não imaginaria a sua vida de outra forma). Não é muito comum vermos mulheres de meia-idade representadas em livros, e essa foi sem dúvida uma das coisas de que mais gostei em Sandwich.
A relação de Rocky com a filha, Willa, e a relação de ambas com a saúde mental, foi outro dos pontos positivos desta narrativa. Adorei ver como, em tantos momentos, eram o pilar uma da outra — e como se compreendiam tão bem precisamente porque ambas estavam tão a par dos problemas de saúde mental que enfrentam.
Sandwich até pode ter o humor típico dos americanos, e pode não mudar a vida de muitos leitores (como não mudou a minha), mas tenho a certeza de que muitas leitoras se sentirão vistas nesta história e na personagem de Rocky. Só por isso, acho que vale a pena recomendá-lo! Sei que já existe uma espécie de sequela deste livro, chamada Wreck, que certamente irei ler brevemente. Ficaram curiosos com este livro?



