Glyph, Ali Smith
Se no mês passado vos falei — e muito bem — de Gliff, chegou agora a altura de falar de Glyph. Não, não é erro: estes dois livros de Ali Smith são romances dentro da mesma família sem serem necessariamente sequelas. Tal como a autora já tinha feito com o quarteto das estações do ano, lançou estes dois livros que existem dentro do mesmo universo, mas que podem ser lidos separadamente.
Glyph conta a história de duas irmãs, Petra e Patch, que crescem a ouvir e criar histórias. Aliás, o livro começa com uma história que lhes foi contada, num casamento, por uma senhora muito velha — história essa que nunca esqueceram. Com o tempo, percebem que Petra, a mais velha, tem a capacidade de desenvolver e criar estas narrativas, e Patch instiga-a sempre. Juntas, criam uma espécie de amigo imaginário, chamado Glyph, com quem conversam quando são pequenas. Décadas mais tarde, já depois da morte dos pais, Petra e Patch estão sem falar. Mas duas coisas, um livro e o aparecimento de um cavalo que só Petra parece ver, dão-lhes o mote para retomarem o contacto.
Ghosts don’t exist.
They don’t. End of.
Story, however.
It is haunting.
Everything tells it.
A single detail tells it endlessly, powerful how it does, how story moves through all the modernity in its ancient green clothes and shows up everything that thinks itself new as transparent, shambling, same old; story’s as old as the hills itself and as brand new as everything that manages, against the odds, to grow fresh and new on those old hills. 1am, I realize now, quite frightened at its wildness and its hugeness and its persuasiveness and pervasiveness.
Perhaps my skin is thinner, after all, than everybody else decided it was.
Numa narrativa que nos leva entre o passado e o presente, entre a perspetiva de Petra e a de Patch, Ali Smith desenvolve muitíssimo bem o tecido desta relação entre irmãs. Não é novidade para ninguém que adoro ler sobre dinâmicas familiares, e há muito tempo que não via tão bem representadas algumas verdades da relação entre irmãos — sobretudo a linguagem própria que se cria e que vem ao de cima, mesmo quando já somos adultos. Apaixonei-me pelas duas e ficaria muito mais tempo a ler sobre a vida delas, agora que se reencontraram.
Só não compreendo porque é que o livro é publicitado como sendo um romance anti-guerra. Quer dizer, em certa parte entendo, visto que algumas das histórias que as irmãs partilham têm que ver com guerras e conflitos, e as personagens vão aflorando esse tema, mas não achei que fosse tão coeso ao ponto de ser um livro sobre isso. De qualquer das formas, recomendo muito, como recomendo toda e qualquer coisa de Ali Smith. Passada a estranheza inicial causada pela forma como escreve, que admito não ser fácil para toda a gente, tenho a certeza de que qualquer livro dela terá alguma coisa para vocês.
Há por aí fãs de Ali Smith? Quais são os vossos favoritos?




É uma autora que incrivelmente ainda não li nada, mas quero muito e tenho certeza que vou adorar. Vai acabar por acontecer como com a Alice Keegan e vou acabar a comprar todos de uma vez sem ainda ter lido nenhum! Este ainda por cima é LINDO!!